Não surpreende este alinhamento de Bayrou em torno de Hollande. Sarkozy granjeou ódios refinados nos diferentes quadrantes da vida política francesa e apresta-se a sair de cena por uma porta muito, mas mesmo muito pequena...
Mas deve ser reconhecido que Hollande vencerá sobretudo num exercício sociopolítico em que a aliança Merkozy nunca foi perdoada. Essa colagem estéril e artificial condenou Sarkozy a um afunilamento eleitoral que lhe trará uma derrota mui amarga no próximo domingo.
Contudo, a França permanecerá. E consigo, uma Europa que terá de reorganizar-se perante este resultado eleitoral. Não se adivinhando oscilações extraordinárias (seria pueril imaginar Hollande como a resposta da esquerda à debacle dos últimos anos), pelo menos existirá a necessidade de refundar a tapeçaria europeia. E acreditem, a Europa necessita urgentemente de redefinir o seu rumo socioeconómico, começando por uma reorganização clara nas relações com os restantes continentes.
Uma Europa crescentemente permeável à influência e ao capital estrangeiro conduzirá, forçosamente, ao declínio acentuado. É momento de dar verdadeiro significado à expressão "União Europeia".
Não deixará de ser irónico que a subida da esquerda francesa despolete a consolidação duma noção de Europa "impermeável"...
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