A forma como o Governo se tem apresentado ao país nas últimas semanas transmite uma sensação de ocaso político.
Por definição, os governos devem cumprir os seus mandatos. Bem sei que também se deveriam preocupar em respeitar os seus projetos eleitorais, mas a democracia portuguesa é fértil em nuances.
Neste caso, a situação é particularmente frágil. Passos Coelho lidera um elenco governativo com uma missão dificílima. Há mesmo quem diga impossível. Na presente situação do país seria utópico imaginar uma legislatura tranquila. Há um memorando que se pretende cumprir a pretexto de dinheiro essencial para pensões e salários.
Posto isto, seria importante tentar perceber o futuro deste Governo e, por inerência, deste país. E, meus caros, o panorama é absolutamente desanimador...
Em primeiro lugar, parece que Passos Coelho entrou numa gestão "roleta russa". As matérias são apresentadas de forma impreparada, a dimensão política dos assuntos perdeu-se numa posição não apenas crispada, mas também autista.
A seu lado, o "jongleur" Portas persiste em malabarismos que só mesmo em mentalidades terceiro mundistas ainda conseguem eleitores.
Em seu redor, uma miríade de ministros e outros acessórios que, a bem da verdade, mereciam um pouco mais de consideração (pelo menos alguns, entenda-se).
Entretanto, Portugal rumina lentamente estes espamos. Roçando entre a incredulidade e a apatia, cumulando uma ferida que, em passo lento, pode redundar em revolta.
E, nos entrefolhos, eleições autárquicas. Ninguém pode dizer que Deus não tem sentido de humor...
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